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Entrevista – A Independência de 10000 Russos

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10000 russos

10000 Russos + A Place to Bury Stranger. Cartaxo Sessions, 2013. Foto: Jorge Pereira

Experienciámos 10000 Russos pela primeira vez nas agora extintas Cartaxo Sessions. E quisemos repetir a hipnose várias vezes.

Primeiro estranha-se, depois arranha-se e ecoa-se com guitarras e tudo o resto ligado à anarquia das pedaleiras, o “gear” mais intrínseco aos 10000 Russos.

Vimo-los no Reverence do ano passado e queremos repetir a experiência de os ouvir este ano. Uma banda não-física, como se autointitulam. É assim ao vivo, são assim os dois álbuns que editaram, o segundo dos quais em maio, pela londrina Fuzz Club Records.

10000 russos

Capa do segundo álbum, 10000 Russos, editado pela Fuzz Club Records em maio.

Em setembro têm mini-tournée agendada com os Magic Castles. Para 2016, reservam algumas surpresas.

Para entender este “não-alinhamento musical”, entrevistámos Pedro Pestana e João Pimenta, 2 dos 3 elementos que dão pedalada à pesada locomotiva dos 10000.

Buzzstop –  10000 Russos numa palavra?

10000 Russos – Não alinhamento. Musical, graficamente e ao vivo, queremos traçar o nosso próprio caminho, por isso, a palavra será mesmo independência.

– De onde nascem tantos russos e esse conceito de independência?

Nascem de um desejo nosso (Pedro Pestana e João Pimenta) em fazermos música juntos. Inicialmente era um duo de guitarra/bateria/voz mas perante a falta que um bom grave faz, o André Couto entrou para a banda em 2014.

Fazemos músicas como qualquer outra banda, editamos música como qualquer outra banda e tocamos ao vivo como qualquer outra banda.

De resto, em seguimento do que perguntaste antes, a ideia é ter um conceito de concerto ou de disco que não seja tanto um show de músicas de 3 minutos, pausa para afinar e piadas mandadas ao público, mas que seja o completo oposto disso. A liberdade neste caso é imensa.

Toda a ideia da banda passa pelas nossas cabeças desde as luzes no concerto, a liberdade dada à Slide Jane para fazer projecções em cima de nós como bem lhe apetecer, mas acima de tudo, a liberdade de não seguir pelos cânones clássicos da música popular ocidental.

A ideia é criar uma banda mental e não física.

– Como definem a vossa onda? Influências?

Complicado porque essa noção de liberdade leva a que a noção de onda seja também ela indesejável. Mas outras bandas não alinhadas como The Fall, Suicide ou Brian Jonestown Massacre podem servir como influência nessa noção psicológica mas não em termos de som.

A ideia de repetição, de mantra e de um alcançar de um estado longe do físico guiam-nos nesta nossa procura que será sempre um “work in progress” que, no fundo, jamais estará concluído.

– O que vos levou a editar um álbum em cassete?

Em 2013 editamos em cassete, de facto, em edição de autor. O cd está obsoleto e mais valia procurar outras soluções físicas para o disco.

Não queríamos apenas o disco nas vias digitais, todos gostamos e colecionamos discos, mas também não tínhamos dinheiro para editar em vinil. Sobrava só a cassete e foi por aí que editamos.

Entretanto em 2014 fomos abordados, após o nosso concerto no Reverence Valada, pelo director da Fuzz Club Records, editora inglesa que já conhecíamos. Editaram o nosso disco já em formato vinil (com 2 edições: uma regular e outra em versão deluxe, já esgotada) agora em junho e abriram-nos as portas para chegarmos a mais gente lá fora.

Por cá nunca tivemos uma editora, fizemos sempre tudo nós mesmo, controlando todos os processos, desde o booking ao merchandise passando pelas edições dos discos. As reações lá fora têm sido muito positivas, em especial em Inglaterra e Itália

– Como vêem o cenário do “psych” português?

Existe o Reverence Valada, que será o grande festival português dentro desse género. Entretanto têm surgido mais alguns como o Lisbon Psych Fest.

Mas mais uma vez, nós entendemos que se tem de enfiar tudo em gavetas até porque frequentamos lojas de discos e efetivamente a música está dividida por categorias mas não queremos que nos enfiem numa onda até porque a nossa ideia foi sempre lutar contra isso.

A razão pela qual assinamos pela Fuzz Club Records foi exactamente a nossa originalidade e a falta de receio em arriscar, por isso espero que nos vejam mais como uma banda que se quer procurar cada vez mais do que propriamente uns Jefferson Airplane de terceira apanha.

– Qual é o processo criativo para produzir este não-alinhamento?

Linhas de baixo, mantras de guitarras, batidas. É bastante semelhante ao processo da arte plástica de um Basquiat por exemplo.

Há temas e assuntos, mas que depois são distorcidos, levados para outros lados. Rejeitamos liminarmente fazer músicas que tenham um riff ao que depois se junta uma batida, uma linha de baixo e uma voz para completar isso tudo com um refrão no meio. Nós somos “anti-isso”.

– Bateria, guitarra, baixo e…?

A santa trindade mas que depois leva com uns valentes focos em cima. Baixo, bateria, guitarra e voz. Depois está tudo conectado a pedais, incluindo a voz, para levarmos o som onde queremos levar.

– Concertos fora de Portugal?

Vamos ter uma mini-tour com Magic Castles (USA) em setembro, depois provavelmente uns concertos com os The Myrrors (USA) em Outubro e para Novembro, uma tour europeia de entre três semanas a um mês. Para 2016 também existirão umas surpresas.

10000 russos

– Onde podemos ver e ouvir os 10000 Russos nos próximos tempos?

Pelo norte de Espanha agora no final de Julho. Faremos 5 datas com os Killimanjaro em Vigo, Corunha, Ponferrada, Gijón e Santander.

Em agosto tocaremos no Reverence Valada e na inauguração do Festival Ignition, em Penafiel. Temos também marcados concertos em Coimbra, Lisboa e Leiria a 22,23 e 24 de Outubro, mas com certeza, mais concertos se seguirão para a promoção deste disco.

Ok, obrigado João e Pedro, vemo-nos no Reverence.

Bandcamp

Facebook

https://www.facebook.com/10000Russos

 

 

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