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Tidal, Spotify e Apple Beats Music: A farsa da evolução

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São “nados mortos” e projectos condenados que mais populam o cemitério da música, sejam eles bandas, movimentos e negócios.
É a máxima re-make/re-model (cortesia dos Roxy Music) que mais sentencia a morte na indústria da música, uma indústria que por muito que queira aparentar uma vitalidade miraculosa, não passa de uma amostra pálida do seu vigor passado, que definha a passos largos para o desgoverno.

Tidal, o tão aclamado serviço de streaming premium, que iria devolver o “poder” aos músicos (palavras de Alicia Keys, na inauguração do serviço, com direito a Conclave…embora aberto ao público online), acaba de tropeçar nos próprios sonhos, tornando-se, tal como tantas ideias e projectos que o precederam, numa anedota sobre revolução.
Nem revolve, nem revoluciona. Apenas devolve…e pouco.

A ideia, embora não original, era de louvar. As intenções óptimas. O perfil dos “apoiantes” do Tidal era mais do que prestigioso – condenava a nova “biblioteca” ao sucesso. Ou assim se suspeitava. Melhor, francamente melhor qualidade de música. Conteúdos exclusivos. Melhores recompensas para os artistas e músicos envolvidos. Uma maior conta no final do mês… mas o que é que isso interessa se estamos assim tão perto dos nossos ídolos e músicos preferidos. Se os apoiamos financeiramente como nunca apoiámos. Se estamos assim tão perto de um sistema de retribuição “perfeito”…

É no peso do selo de serviço premium que o Tidal fracassa, com um fraco serviço e oferta de catálogo, comparado com o “bicho papão” do mundo do streaming, o Spotify.
Compreendo perfeitamente as queixas dos artistas em relação aos royalties e fraco rendimento por um número quase infindável de audições. Mas um serviço que pretende afirmar-se como Messias da indústrias musical não apoiou ou projectou os artistas emergentes que devia, colando-se aos elefantes sagrados do status quo musical.

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O novo projecto da Apple, o Beats Music lança também farpas à audição gratuita do Spotify, tentando, em vão, condenar a “não subscrição” e contra-atacando com tácticas pouco…”gratificantes”, incluindo um preço acrescido na subscrição do Spotify via iOS e “intimações” obscuras, pressionando as editoras a demarcarem-se do Spotify.

E mesmo no meio da tempestade, nenhum dos projectos tem a capacidade analítica de perceber que isto não é uma “revolução”. É uma farsa, uma remodelação de velhos paradigmas que, para quem tanto apregoa pelo fim dos sistemas de partilha P2P e das demais formas de pirataria, acaba por ser um próprio insulto à sua integridade.

Não há um serviço com qualidade de audio de alta fidelidade, altamente costumizável, onde o consumidor só será “atormentado” pelo que quer (os parâmetros que definem targets e públicos alvo no Spotify a nível publicitário estão mais que baralhados). Não há uma central musical, um hub à semelhança do cliente do Spotify, que seja o mais completo possível. Do qual não necessitemos de sair por falhas no catálogo, por falta de informação, por qualquer razão que seja. Acreditem, eu posso enumerar uns 10 artistas de cabeça que não disseram “presente” quando o Spotify lançou o repto mundial.

No fundo, tal como o Spotify, o Tidal e, futuramente, o Beats Music continuam a incorrer no mesmo erro: não premiar os ouvintes com um serviço adequado à sua despesa. Pegando nas palavras de alguém que encontrei na Internet, no final do dia somos todos “consumidores e não filantropos”. Contudo, o “prémio” continua a ser atribuido aos mesmos músicos, às mesmas editoras, às mesmas empresas.

O grande desafio para a Indústria Musical, ou, concretamente, para os “esquecidos” continua a ser a demanda de um contacto mais próximo e fraterno da sua base. Uma ferramenta que proporcione amplo e constante sustento para ambas as partes da relação. É um caminho já trilhado, mas pouco explorado. E é por aí que passará uma revolução. Não por interesses corporativos, travestidos de streaming  em suposto formato premium.

Até lá, fiquemo-nos com o Spotify gratuito. Não defrauda expectativas pois é gratuito.

Fonte: CNET/Digital Trends

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